Associação de familia Cunha Coutinho – Na Eles&Elas 299

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Cruzámo-nos há tempos e por completo acaso, com a publicação de «Cadernos Barão de Arêde» dirigida pelo Arquiteto Luís Soveral Varella, atual representante do título nobiliárquico de Barão de Arêde Coelho, uma revista do Centro de Estudos de Genealogia e Heráldica Barão de Arêde Coelho. No seu número 7, deixou-nos particularmente curiosos a leitura do artigo sobre a Associação de Família Cunha Coutinho. Fomos encontrar-nos com os seus mentores e fundadores, o Dr. José António da Cunha Coutinho, prestigiado Médico especialista em Estomatologia de Lisboa, e com a sua mulher, a Dr.ª D. Maria Antonieta (Nitocas) Sanhudo de Portocarreiro da Cunha Coutinho, Médica Veterinária, os Barões de Nossa Senhora da Oliveira, com quem tivemos uma muito amena e agradável conversa.

Como surgiu a ideia de fundarem uma Associação de Família e com o nome da vossa família?

Porque se trata de uma situação inédita, não? E qual o seu objetivo? JACC (José António Cunha da Coutinho) – Não se trata de uma situação inédita. Aliás, é uma situação até bastante comum noutros países, como o Reino Unido e os Estados Unidos da América. A própria CILANE, que é a Comissão Europeia da Nobreza e que foi estabelecida em Paris em abril de 1959, e que atualmente tem organizações associadas em vários países, essencialmente da Europa, mas também na Rússia, por exemplo, e de que a Associação da Nobreza Histórica de Portugal faz parte, incentiva a formação deste tipo de associações. A escolha da sua designação fazia todo o sentido já que a nossa Família tem de apelido Cunha Coutinho.

MA (Maria Antonieta) – Mas em Portugal é uma situação inédita, sim, dado que, pelo menos de uma forma estruturada e regrada, nunca existiu. JACC – Quanto à razão de ser e aos objetivos da Associação, o Luís Soveral, Barão de Arêde Coelho, nosso amigo, explicou-o de uma forma simples e notável no seu artigo publicado nos «Cadernos Barão de Arêde». Efetivamente, o Luís Soveral, como genealogista e estudioso da História da Família, propôs-nos escrever um artigo sobre a Associação, entendendo ele que era um excelente exemplo a divulgar. A Maria Antonieta e eu acedemos naturalmente. O principal objetivo é a preservação da História da Família. Primeiro porque propõe a congregação de todos os membros da Família à sua roda, vinculando-os à Associação e, desta forma, à Família, sensibilizando cada um individualmente para a organização celular da Família, promovendo o sentimento de a ela pertencer. Por outro lado, tem como objetivo a coleção e centralização da documentação que faz a História da Família, como fotografias, certidões, estudos elaborados, etc., permitindo ter disponível toda essa documentação para o estudo do percurso da Família e da sua organização. A Associação tem um site que poderá aceder em www.familiacunhacoutinho.com

MA – E também permite, num estudo futuro, entender o posicionamento social na estrutura em que a Família se insere. Mas os objetivos da Associação não ficam apenas por aí. A sensibilização de se pertencer a uma Família, com história mais ou menos conhecida – já que todas as Famílias obviamente têm história – ajuda-nos a unir noutros objetivos, como sejam o apoio àqueles que têm mais infortúnio do que nós e que nós, a Família, de alguma forma pode ajudar. Isso mesmo aconteceu no ano da Misericórdia em Roma, inseridos na Ordem de Malta, de que fazemos parte, em que tanto o Zé António como os nossos filhos, a Maria o Gonçalo e o Zé, também médicos, prestaram consultas pro bono. Mas também em Portugal nos inserimos nas organizações da Ordem de Malta e prestamos apoio aos mais necessitados de acordo com as nossas possibilidades e disponibilidades.

Maria Antonieta, é comum ver-vos, a si e ao seu marido, e por vezes acompanhados dos vossos filhos, em acontecimentos sociais. De memória, estou-me a lembrar de terem estado recentemente no BullFest no Campo Pequeno, bem como na corrida de toiros da Revista VIP na Moita e na Spring Party no Círculo Eça de Queiroz no ano passado. Também constatei que foram Embaixadores do Baile da Flor, no Estoril, e do Wieener Ball, promovido pela Embaixada da Áustria no Convento do Beato. Com as vossas vidas profissionais, seis filhos e ainda a vossa disponibilidade para o voluntariado, como é que têm tempo para uma vida social tão ativa?

MA – Bom, primeiro que tudo, os nossos filhos não nos dão trabalho, ou, pelo menos, não mais do que quaisquer filhos inseridos numa família dita normal. São muito amigos e protetores uns dos outros, cumpridores com as suas obrigações e entusiastas quer dos estudos quer das carreiras profissionais que escolheram. Como tal, para nós, sempre pais atentos, são um apoio e um conforto fundamental, não nos retirando tempo a mais do que aquele que é o nosso tempo em família, estrutura de que têm uma consciência plena e nela uma existência, que creio, feliz. Isso mesmo se prova no facto de todos eles, juntamente com nós os dois, serem fundadores da Associação de Família Cunha Coutinho. Estão sensibilizados quanto à importância da Associação e abraçam os seus objetivos e a sua atitude com entusiasmo. Quanto à nossa presença em alguns eventos sociais, gosto de pensar que é o resultado da nossa postura enquanto Família e individualmente perante os outros e a sociedade onde nos inserimos. Somos uma Família normal, cada um com as suas responsabilidades profissionais e sociais, e que gosta de conviver e de se divertir. A nossa presença em alguns eventos sociais, com alguns ou todos os nossos filhos, que por vezes não é fácil de reunir por serem seis e com obrigações, ou dos estudos ou profissionais, é apenas mais uma nossa faceta. É aí que encontramos muitos dos nossos amigos, e é aí que tantas vezes, de meras conversas informais, por vezes nascem ideias e projetos que no fundo são as ideias e os projetos que a Associação de Família Cunha Coutinho apadrinha. Falou da Spring Party no Círculo Eça de Queiroz no ano passado. Essa festa foi promovida precisamente pela Associação de Família Cunha Coutinho e, para além de muito divertida, foi lugar de trocas espirituais, de manifestação de amizades, de início de outras entre os nossos convidados, e do nascimento de ideias para ações futuras. É sempre muito rico encontrarmo-nos com outros, alguns que, por vezes, pensam mesmo muito diferente de nós, mas unidos no mesmo objetivo.

José António, como concilia a sua atividade profissional médica como Estomatologista e cirurgião oral e maxilofacial, de gestão como CEO do Grupo Cunha Coutinho Saúde e académica com a atividade da Associação da Família Cunha Coutinho, designadamente as de caráter social, as de voluntariado e as culturais?

JACC –  A participação em eventos sociais constitui uma forma de descontrair da intensa atividade profissional médica como Médico especialista em Estomatologista na Clínica Médica e Dentária Dr. Cunha Coutinho, onde a cirurgia oral e maxilofacial se cruza com a implantologia e a prótese fixa passando pela ortodontia e outras áreas da especialidade, bem como coordenando o trabalho de toda a equipa da clínica como Diretor Clínico. A esta atividade clínica acresce a responsabilidade de gestão como CEO do Grupo Cunha Coutinho Saúde, onde os nossos quatro filhos médicos (Maria, Graça, Gonçalo Nuno e José António) também colaboram. Participando em eventos sociais, a minha Família e eu estamos não raras vezes a ajudar causas humanitárias e beneficentes que, através dos fundos recolhidos nesses eventos, obtêm meios económicos para a consecução dos seus propósitos. Também me parece interessante referir que há mais de 20 anos a esta parte, no meu período de férias durante duas semanas, realizo voluntariado médico, no âmbito da Medicina Geral, no Santuário de Fátima, prestando apoio aos peregrinos no Posto Clínico do Santuário, integrado na equipa da Associação dos Médicos Católicos, ação que, para além da sua vertente benemérita, é extremamente rica em valores humanos e espirituais. A “Associação da Família Cunha Coutinho” vem desenvolvendo, desde a sua fundação, iniciativas de carácter cultural, sendo a mais atual o patrocínio concedido à edição do livro “Conselho de Tondela, Heráldica, História e Património”, excelente trabalho de investigação da autoria de Luís e Manuel Ferros e Rui do Amaral Leitão. A obra em apreço constitui o preencher de uma lacuna na historiografia Portuguesa e será lançada na próxima Feira do Livro de Lisboa e posteriormente no Grémio Literário.

No seguimento do que acaba de referir, por certo a Associação de Família Cunha Coutinho não existe isolada de tudo e de todos. A Associação tem alguma ligação com outras associações congéneres ou organizações com o mesmo propósito?

JACC – Sem dúvida. Enquanto Associação tentamos, e  Graças a Deus temos tido sucesso, fazer protocolos com outras organizações que tenham em vista servir o mesmo propósito, ou de alguma forma servir propósitos com que a Associação se identifica. A título de exemplo, a Associação é membro da Confederação Nacional das Associações de Família, que a condecorou com a medalha de Excelência e Mérito Familiar; e foi já condecorada ainda por Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de São Tomé D. Abílio Rodas de Sousa Ribas, Bispo de São Tomé e Príncipe como Membro Honorário da Cruz de São Tomé, Apóstolo, Bispo que é desde 2009 o seu Capelão; é membro desde 2015 da The International Cruzade for Holy Relics, fundada sob a Alta Proteção de Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança; e em 2016 assinou um protocolo de colaboração com a Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos, de que recebeu a Medalha de Honra. Como vê, a Associação da Família Cunha Coutinho não se limita a existir simplesmente e envolve-se com organizações e causas que tenham a ver com os seus princípios e objetivos.

Referiu, ainda que de passagem, Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. Não poderia concluir esta entrevista sem me referir ao vosso apoio à Família Real Portuguesa nas pessoas de Suas Altezas Reais os Duques de Bragança e à militância monárquica da vossa Família.

JACC – A nobreza não faz sentido sem a sua organização tradicional, ou seja, sem o reconhecimento da sua hierarquia e da sua chefia, e que a fonte de honra, a que chamamos fons honorum, está no Chefe da Nobreza Portuguesa, que no caso presente é o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. A convicção monárquica da nossa Família tem a ver com o nosso profundo sentimento de uma melhor e mais justa organização de uma sociedade, e em particular da nossa sociedade e do nosso país, contra muitos dos males que as falsas democracias nas repúblicas plantam em todos nós, ajudados por alguns media. No final, estamos pacificamente a aceitar uma organização social em que grassa a corrupção e o compadrio, o desdém pela nossa História e pelo respeito dos nossos antepassados, em que os ensinamentos dos nossos pais não servem para nada, em que se perdeu a palavra e o respeito pelo próximo. A convicção monárquica tem para nós apenas a responsabilidade e as obrigações para com Portugal e os Portugueses. Seriam razões por demais extensas para esta nossa conversa. Talvez numa próxima se para isso houver oportunidade.

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