ISTO É SÓ O QUE EU ACHO

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ISTO É SÓ O QUE EU ACHO
COMEÇAR DE NOVO

Os media têm sempre este cotê sádico de aproveitarem a Quadra de Natal para nos bombardearem com todas as tragédias possíveis e imaginárias, externas e internas. Contra os horrores deste vasto mundo não podemos nada que não seja tirar de lá as nossas tropas e não alinhar mais no nonsense assassino segundo o qual só o Ocidente é que sabe como é que se resolvem os problemas do Oriente, ou da África, ou dos dois Pólos do Planeta. É insultuoso, ridículo, e por demais deprimente. Tirando isso, toda a gente sabe que a verdadeira caridade começa em casa. Como no dia de Natal vamos a chegar quase mais perto da meta do ANO NOVO – VIDA NOVA, está na altura de pensar o que é que poderíamos fazer, todos nós, a todos os nossos níveis, para tornar Portugal melhor, mais diferente, e mais feliz. Por mim, o que é mesmo importante e deixa atrás de si resultados duradouros, é desenhar uma estratégia para acabar com a nossa desordem interna, e com toda a miséria e sofrimento que ela comporta ao permitir enriquecimentos indecentemente selectivos e corrupções vivamente aplaudidas.

Tudo isto se resolvia de uma forma muito simples: com um investimento brutal, nunca antes visto, na cultura e na aprendizagem, a todos os niveis, por parte de vários parceiros, com vários destinatários e vários géneros de representantes da população portuguesa, com recurso a vários suportes mas por favor, nunca dispensando os livros. Só que os estudantes tinham que aprender a argumentar, a criticar, a discutir e a discordar, tudo isto desde a pré-primária. Não estou a dizer tolices. Tenho dezenas de anos de experiência própria. Os miúdos são muito bons nisto, e fazem-nos perguntas absolutamente desarmantes. Há um rap do Valete que é uma autêntica pérola, QUAL É O ISMO QUE TE PRENDE, MANO?, em que ele fala longamente, sempre a rimar em ismo, de toda a longa história do colonialismo; e acaba a repetir, naquele tom de urgência contida que mais ninguém consegue fazer como ele, ‘rasguem os livros de História, rasguem os livros de História já!”. Mesmo que a pessoa ache isto excessivo, a ideia percebe-se bem, e as crianças não são parvas. A bandalheira que despoleta horas excessivas de trabalho das quais resulta uma baixíssima produtividade nacional, ao mesmo tempo que permite fraudes milionárias de banqueiros e governantes, resolvia-se muito mais facilmente num país muito mais educado, muito mais habituado a pensar por si próprio, capaz de ver golpes baixos no escuro porque a História se repete e já toda a gente leu suficientes livros onde acontecem casos iguais.

Mas de onde é que vinha o dinheiro para tudo isto? Então, eu, pessoalmente já propus isto mesmo um milhão de vezes. O dinheiro vinha das Forças Armadas, santa paciência. Os nossos rapazes portugueses não têm nada que andar aí pelo mundo a tentar impor os nossos valores às populações com valores muito diferentes dos nossos. Seja o que for que está a acontecer pelo mundo, Portugal não tem nada a ver com isso. Portugal em si não tem nada a ver com isso nem está em risco de coisa nenhuma, é tudo um Maria-Vai-Com-as-Outras que tarda a ser questionado. A questão de abdicar de um grande exército não é minimamene problemática, nem tão-pouco questionável. A Islândia, que está ali naquela posição estratégica de ilha grande no meio do mar em frente do território russo, nem na II Grande Guerra formou um Exército, e nunca aconteceu mal nenhum aos islandeses. E, em consequência, hoje os islandeses são ricos,cultos, desenvoltos, interessados, com muito jogo de cintura na sua forma de ver o mundo. Não estou a inventar nem uma vírgula desta parte. Uma das minhas melhores amigas é islandesa.

Muito Bom Ano, muito diferente deste, para toda a gente.

 

Clara Pinto Correia

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