Just a Dress?

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Just a dress?

Perfeição na imperfeição: fantasia, ousadia, risco, choque, atrevimento. Foram estas as palavras que me surgiram quando vejo Bella Hadid em Dior para a apresentação da nova coleção de maquilhagem “The Art of the Color” por Peter Philips. O vestido tem vida, respira (e deixa também o belo corpo da Hadid respirar), pisca- te o olho, fala!

Fala pelas mulheres, como um hino à feminilidade, que, só por acaso, é cantado por uma mulher em boxers. A Dior deu um salto, alto, na indústria da moda e na sociedade, atingindo o ponto de equilíbrio entre o encanto, a ternura e a sensualidade intrínseca na mulher desde a sua existência e a força, garra e poder que a mesma conseguiu adquirir na sociedade e que vai continuar a manter na posteridade. É um vestido com herança do passado e com visão de futuro, sem ter de recorrer aos corpetes sufocantes, nem aos metais fluorescentes e aos cortes inspirados nos fatos de astronauta.

Um  vestido que ultrapassa o tempo, mas que surge no tempo certo para a marca e para a indústria da moda. Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da marca desde Julho deste ano, demonstra assim ter sido uma escolha acertada para reforçar a essência da marca depois de Raf Simons e, ao mesmo tempo, trazer algo novo, fresco e arrojado. Dior é Dior. Sempre foi Dior.

Nunca ninguém questionou a sua importância no mundo da moda. Ainda assim, por muito tempo, mulheres no mundo inteiro deliciavam-se com os seus desfiles pensando: nunca na vida usaria aquilo. Parecia algo inatingível, que apenas existia para ser apreciado, como uma obra de arte num museu dentro de uma vitrine. Com Raf Simons, a marca passou para o outro extremo, com a sua lufada de minimalismo e a sua visão prática da moda. De um momento para o outro, quem assistia a um desfile Dior pensaria sem hesitar: quero isto tudo.

Consequentemente, a facturação da marca duplicou, atingindo resultados históricos. No entanto, algo faltava nesta casa que, depois da demissão de Raf Simons, esteve quase 10 meses sem director criativo. Faltava um grito, uma marca social, uma história para contar: um murro em cima da mesa. Era preciso colocar as mulheres no mundo inteiro a ver os seus desfiles e a pensar: QUEM ME DERA ter isto tudo. Este vestido foi o culminar dessa necessidade, foi a prova máxima da concretização desse objetivo: um orgasmo na história recente da marca. De uma mulher, para todas as mulheres.

Teresa Poças

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