Vanda Stelzer Sequeira – Embaixatriz da Áustria – Na Eles&Elas 299

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A Embaixatriz da Áustria

Vanda Stelzer Sequeira é portuguesa, diplomata e é, atualmente, a Embaixatriz da Áustria em Portugal, pelo seu casamento com o presente Embaixador, Thomas Stelzer. Tem o coração entre os dois países e espera, com o seu trabalho, apoiar o marido a divulgar o melhor da cultura austríaca e fazê-lo conhecer Portugal o melhor possível. Esteve envolvida na organização do Baile Vienense, em Lisboa, e foi na sequência disso que a conhecemos melhor.

Como e quando optou pela carreira de diplomata?

Sempre tive muita curiosidade em relação ao mundo que me rodeia, em relação a outras culturas e a diferentes modos de estar e pensar. A decisão de concorrer à carreira diplomática veio naturalmente, após terminar a licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Técnica de Lisboa. Além de exercer de momento funções na Presidência da República, é também Embaixatriz da Áustria:

Como descreveria a sua relação com este país?

A Áustria é o país onde conheci o meu marido, estava eu na altura a exercer funções na Embaixada de Portugal em Viena. Foi o país onde casámos e também o país onde nasceram os nossos dois filhos mais velhos (o mais novo nasceu em Nova Iorque). Além da excelente qualidade de vida que a Áustria, e em particular a cidade de Viena, oferecem, existe no meu caso também uma óbvia relação emocional com a Áustria. Tenho lá família e amigos com quem mantenho um contato regular. Estando a desempenhar a função de Embaixatriz da Áustria no seu país de origem, de que forma contribui para aproximar os dois povos? Bom, essa é a principal função do meu marido enquanto embaixador da Áustria em Portugal! Como mulher dele, tenho uma função discreta de apoio, na retaguarda. Julgo que o facto de ter uma família portuguesa ajudou o meu marido a integrar-se no nosso país, pelo menos no início – entretanto, ele conhece mais pessoas do que eu e, provavelmente, também conhece melhor o país do que eu! Tem viajado incansavelmente de norte a sul divulgando a Áustria e a cultura austríaca, nomeadamente a música, promovendo iniciativas e eventos em diferentes cidades e pontos do país. Hoje em dia, , como no seu caso, muitas embaixatrizes têm carreiras próprias, que são independentes da função dos seus maridos.

Como vê esta evolução, no vosso caso têm conseguido conciliar as duas carreiras?

Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, era inevitável que também a carreira diplomática tivesse de sofrer ajustamentos. Em Portugal, em especial, apenas a partir de 1974 puderam as mulheres aceder à carreira diplomática, que até aí era reservada aos homens. Temos entretanto um número razoável de mulheres que atingiu o topo da carreira diplomática. E por detrás destas embaixadoras, há muitas vezes um marido que as acompanhou e apoiou ao longo dessa carreira, umas vezes no mesmo país, outras vezes longe, por motivos profissionais ou
outros. Acredito que a conciliação de duas carreiras profissionais é possível, embora não fácil, e é hoje relativamente comum. É o facto de os diplomatas, por definição, passarem em média cerca de quatro anos num determinado país, que torna a conciliação da vida familiar com a prossecução de uma carreira profissional um desafio muito particular. Sabemos que esteve envolvida na organização de um fantástico baile no Convento do Beato para apresentação à sociedade de várias jovens.

Que importância têm, para si, eventos como este?

É uma tradição bonita e, aliás, muito viva na Áustria, onde os objetivos dos bailes são variadíssimos (bailes de finalistas, bailes de beneficiência – awareness-raising, fund-raising – p.e. cancro da mama, refugiados, assuntos LGBT, bailes dos vários grupos políticos). No caso do baile vienense de Lisboa, escolheu-se dar destaque à Orquestra Geração e promover o seu muito relevante projeto de intervenção social através da música. Em simultâneo, celebra-se a cultura e a comunidade austríacas em Portugal, abrindo também uma porta para o público português conhecer melhor a Áustria e tudo aquilo que esta oferece.

Que valores acha que a juventude de hoje em dia não deve dispensar?

Que valor pode uma tradição como o debute / um baile de debutantes ter hoje em dia, especialmente para os jovens que participam nele? É divertido aprender a valsa e as outras danças de salão, seria uma pena se se perdessem como forma de socialização. No caso do baile vienense, pude constatar que os ensaios criam e reforçam amizades, os nossos debutantes (nem todos se conheciam antes) são agora amigos, encontram-se também quando não há ensaios. É importante sentir-se bem e estar à vontade em circunstâncias diversas da vida, seja num encontro de amigos, ou num evento mais formal. Os debutantes do ano passado regressaram ao baile deste ano e o grupo vai-se alargando…

Que mensagem gostaria de deixar aos jovens de Portugal e da Áustria?

Fazendo a ligação ao baile, diria que há tradições e valores que são antigos, vêm de trás, mas que ainda hoje nos podem servir de orientação. Não se trata de gravar estas tradições em pedra, é preciso contextualizá-las, permitindo também que sejam modificadas e ajustadas ao mundo atual. Aos jovens de hoje diria que é importante pensarem “out of the box”, resistirem ao conformismo, serem independentes e terem um sentido crítico das coisas, sem deixar de apreciar o que existe de bom, bonito e divertido no mundo.

M.L.B.

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